Mostrar mensagens com a etiqueta radical. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta radical. Mostrar todas as mensagens

09 abril 2011

Bicicleta da Trafaria a Setúbal (take 2)

O take 2 foi apenas uma semana depois do take 1 e ao contrário do que diz o ditado, à segunda foi de vez! Mas não sem algumas peripécias pelo caminho...

A viagem começou bem cedo para apanhar um dos primeiros barcos que atravessam o Tejo, daqueles que ainda levam malta vida diretamente "da noite" da 24 de Julho.

De manhã bem cedo, a caminho de Belém

No barco conheci dois ciclistas que tinham um objetivo idêntico ao meu: ir até Setúbal. Foi uma companhia essencial não só para o sucesso da viagem como para a beleza da mesma, uma vez que eles tinham uns trilhos "especiais" guardados no GPS!

Primeira surpresa do dia

O primeiro foi logo um fantástico trilho por cima da arriba da Costa da Caparica que termina no antigo OndaParque, um parque aquático já desativado depois de um trágico acidente...

Acidente (ou incidente) tive também eu ao chegar ao OndaParque: um furo. O meu primeiro depois de centenas de quilómetros já feitos este ano! Afinal não acontece só aos outros, mas eu estava preparado com uma câmara de ar de reserva e rapidamente o reparei.

Seguimos a todo o gás, repetindo agora o percurso que tinha feito na semana anterior, mas desta vez sem a travessia da praia! Havia um trilho do GPS de um dos meus companheiros que contornava a lagoa de Albufeira.



Contornada a lagoa de Albufeira, continuamos mais uma vez no percurso da semana anterior, mas desta vez com mais uma surpresa: outro furo! Incrível, eu que nunca tinha furado, ter furado duas vezes seguidas. E não, não foi na mesma roda. Bom, como só levei uma câmara de ar suplente, lá me valeram os meus novos amigos para me salvar o dia e não ter de recorrer a uma terceira tentativa para fazer este percurso!

 Azóia para Sesimbra

Depois de uma merecida paragem para almoço, curiosamente, no mesmo local da semana passada (o sucesso das lamejinhas do Sr. Fortunato) seguimos para Sesimbra, desta vez mais junto ao mar. Esperava-nos um difícil troço por falésias que não sabíamos se tinha ligação a Sesimbra, mas quando subimos a falésia mais alta, deparamo-nos com estas paisagem:

WTF ?!

Mas de onde é que isto apareceu? Fomos teleportados para alguma ilha do Pacífico sem dar por nada? Foi das lamejinhas... só pode! Tínhamos de descer lá abaixo, para ver melhor, para "apalpar", para crer! Mas não foi fácil...



A descida era muito íngreme e com vegetação incrivelmente densa. Bastante difícil até para uma pessoa a pé, por isso agora imaginem com bicicletas e mochila! Mas o objetivo continuava lá em baixo à nossa espera e nós sabíamos que iria valer a pena! E valeu.


Digam lá se já não valeu a pena ler este post, só por terem descoberto que têm uma praia destas a 30Km de Lisboa, acessível por autocarro da TST por menos de 5 euros?

E pronto, com isto chegamos a Sesimbra exatamente à mesma hora que tinha chegado na semana passada com a Isabel e desistido. No entanto na semana passada não desistimos apenas pelo avançar da hora, nem unicamente pelo cansaço meu e da Isabel... Desistimos devido a toda a conjetura, i.e., devido a uma grande conjugação de fatores e o principal era este:



Sim, Sesimbra fica lá no fundinho e nós queríamos atravessar a Serra da Arrábida, por isso o caminho era para cima! Subimos, subimos, subimos, passamos pelas horrorosas mas impressionantes pedreiras, subimos, subimos, tudo até lá acima, mais propriamente às Varandas de Sesimbra.

Varandas de Sesimbra

A partir daqui era sempre a descer, ou quase sempre, pelo meio da serra e depois pela marginal até Setúbal. Tudo seguiu com mais tranquilidade, sem mais furos, mas como um pedal desapertado, "avaria" que me levava a parar de 500 em 500 metros para tentar apertar com os dedos o enorme parafuso da pedaleira! Foi por um triz que não tive mesmo de recorrer a uma terceira tentativa para fazer os 90Km que me separavam de Lisboa a Setúbal!

Atravessando a Serra da Arrábida debaixo de um fantástico sol de primavera!

29 janeiro 2011

Salto de pára-quedas em Évora

Num Sábado de manhã de Janeiro, com tempo instável e de guarda-chuva na mala, saímos de Lisboa em direção a Évora, com o plano de fazer um Salto Tandem de pára-quedas, sobreviver, dar um passeio por Évora, jantar e regressar. Tínhamos de gastar os vouchers que ganhámos no ano passado, no challenge da Merrell.


Fomos diretos ao aeródromo, vimos o ambiente, comemos uma canjinha de galinha caseira e seguimos para o avião. Foi chegar, ver e saltar!



Fizeram-nos a pergunta habitual: por mais 30 euros, saltam de mais alto e têm mais tempo de queda livre. Querem? Ninguém quis e seguimos para o avião. Daí a nada estávamos no chão.
Quem não dá 30 euros para saltar mais tempo também não dá 90 para ter o seu salto filmado. Por isso fotografias da louca viagem descendente também não há!


Eu, o Miguel o Tomás e a Elenor (não confundir com marcas de sujidade na lente)


Mas não nos podemos queixar. Na hora de abrir a porta do avião e saltar, uma nuvem amiga escondeu a pista lá em baixo e o instrutor deu instruções ao piloto para subir. Não era possível saltar dali, sobe, sobe, sobe! E nós subimos, subimos, subimos para depois saltarmos e descermos, descermos, descermos da altura mais alta que não pagamos.


Fui o primeiro a saltar, o que me deu o privilégio de fazer algo diferente! Já no avião, o instrutor explicou-me que me iria colocar totalmente do lado de fora do avião, antes do salto. Foi a melhor parte. Quando se pensa num salto destes pensa-se na descida, mas a saída do avião foi bem mais interessante para mim! 

Imaginem-se só a voar num pequeno avião a 4Km de altitude e depois alguém abre a porta. O que fariam? Claro que se dirigiam à porta e metiam a cabeça de fora para ver bem as vistas lá para baixo e, como é claro também, se penduravam do lado de fora do avião durante uns segundos, enquanto ele plana no ar a grande velocidade! Depois, o óbvio: saltam. Então, um avião no ar com uma porta aberta lá para fora… claro que o mais sensato é saltar porta fora. E puff, estás a voar.

A voar... quer dizer.... a cair! Esqueçam a paz do voo das gaivotas, ou das águias na montanha. Eu estava mesmo a cair. A cair em direção ao chão! Estão a ver aqueles sonhos em que estão a cair, mesmo? Ora, é mais ou menos isso, mas durante 40 segundos. A sensação de desamparo, de que nos vamos esborrachar na pista. Por outro lado o vento a fazer barulho, as nuvens e o frio (-16º quando saímos do avião). Muita coisa a acontecer até que o pára-quedas abre e ficamos numa paz aparente. Aqui sim estamos a voar.


A voar sobre o aeródromo de Évora

O voo é rápido até ao chão, com umas espirais que aceleraram o processo. A aterragem, apesar de fácil, é das partes mais arriscadas da atividade. A nossa decorreu sem problemas.

Uma aterragem controlada

Uma vez no chão, foi a descompressão. A análise de todas as sensações, de tudo o que se passou. Tudo ainda iria demorar o seu tempo a digerir! E por falar em digerir… quem ainda se lembra qual era o plano para o resto dia? Jantar em Évora, claro.

Os quatro "astronautas"

Levávamos uma recomendação de um restaurante chamado Quarta-feira. Fomos lá marcar o jantar para 6 e perguntámos pela ementa. O senhor, de uma forma arrogante, mandou-nos estar lá às 20h em ponto, como toda a gente e o jantar seria servido. Não teríamos escolha.

Viemos intrigados com o comportamento do dono do pequeno restaurante de 16 pessoas, mas às 20h em ponto lá estávamos. As entradas já estavam servidas e garrafas de vinho que não pedimos já abertas na mesa. O jantar não o escolhemos e a sobremesa seria uma surpresa. Nem sabíamos o preço daquilo.


Jantar no Quarta-feira

O veredicto: quando forem a Évora têm de vir cá jantar! É fantástico. Não precisam de escolher a comida e tal como em casa da vossa avó, sentam-se à mesa e comem comida acabada de fazer, muito saborosa. Menu completo. O preço é fixo e comem o que quiserem. A qualidade é excelente. O atendimento, claro foi muito personalizado. Demorou um pouco a quebrar o gelo mas depois de começamos a falar sobre os imensos símbolos maçónicos o senhor Dias soltou a língua e ficamos a falar até às 23h. Fomos os últimos a sair do restaurante mas ficamos com muito vontade de ficar e de voltar. E aconselho-vos a fazerem o mesmo. Recomendo!

E pronto, foi este o dia em que o número de descolagens de avião que fiz deixou de bater certo com o número de aterragens. Saltei de um avião!