27 fevereiro 2011

De Troia a Sagres de bicicleta

Fim de semana sozinho em Lisboa, cansado da rotina do trabalho, excelente tempo de sol  e algum frio. Ingredientes perfeitos para uma aventura espontânea. Sair bem cedo de Lisboa montado na minha bicicleta e pedalar para sul, até ao Algarve, sozinho!

Porto Covo

Inspirado pela fantástica viagem de uns amigos escaladores, que fizeram Sines -> Sagres pela costa alentejana no ano passado, tentei repetir a aventura, mas partindo de Troia, depois de uma curta viagem de comboio até Setúbal e de atravessar no ferry boat para a península.

Ilha do Pessegueiro

Os primeiros 70Km foram apenas de ligação, sendo que a primeira verdadeira etapa começou em Sines, numa fantástica estrada costeira até Porto Covo, onde almocei um belo bife da vazia. De barriga cheia atravessei a praia e fui dormir uma bela sesta em frente à Ilha do Pessegueiro.

Estrada costeira, a partir do Forte do Pessegueiro

A segunda etapa ligava Porto Covo a Vila Nova de Mil Fontes. Antevia-se uma excelente e estética etapa, junto ao mar, por belos estradões de terra, mas que logo se transformaram em areia e numa etapa muito dura. Ora pedalar, ora empurrar, ora andar... foram mais de 15Km nisto!

Cansado de empurrar a bicicleta por caminhos com muita areia!

Finalmente chego a Vila Nova de Mil Fontes onde por enorme coincidência encontro um CouchSurfer com quem tinha trocado umas mensagens no dia anterior enquanto procurava dormida! Ele ia de carro com outras CouchSurfers em direcção a uma das praias quando me reconheceu. Grande coincidência!

Cabo Sardão

A paragem foi rápida, para um pequeno lanche e comecei logo a terceira etapa, mais uma ligação por estrada até ao Cabo Sardão, com uma pequena paragem em Almograve para pedir indicações a dois alentejanos que bebiam cerveja num café. Por sorte um deles fazia BTT e deu-me mais algumas indicações que me levaram a um dos melhores troços de toda a viagem!

Cabo Sardão - Zambujeira

Uma fantástica estrada de terra batida, com pouca areia mas alguma lama, sempre junto ao mar, mas por falésias. Lá em baixo o mar bravo. Cá em cima um final de tarde fresco com sol poente. Foram provavelmente os melhores momentos da viagem!

Falésias entre o Cabo Sardão e a Zambujeira

Depois de me perder um pouco para descobrir a passagem por um pequeno ribeiro, lá percorro os derradeiros quilómetros até à Zambujeira, onde iria pernoitar, mais de 130Km depois, mas não sem antes me atirar ao mar!


Banho de mar na Zambujeira, em Fevereiro, num fim de tarde fresquinho

Haviam turistas a tirarem-me fotos do cimo da falésia. Devia parecer um maluco a banhar-me em cuecas no lusco fusco de uma tarde de Inverno. Mas soube bem, foi revitalizador. Procurei um sítio para jantar, comi uma sopa quente e fui dar uma volta. Ai, ai, ai.. que dores nas pernas! 

O plano inicial era dormir na praia, para isso estava a carregar um saco-cama às costas. Mas o orvalho que  já tinha tudo molhado pelas 21h, aliado ao cansaço da viagem e ao que ainda teria de percorrer no dia seguinte, levaram-me a ceder ao conforto de uma pensão bem negociada para uma noite rápida bem dormida.

Muita areia e água à saída da Zambujeira

Levantei-me cedo para a primeira etapa do dia, onde tentei forçar caminhos mais costeiros, mas logo me deparei com muita areia e poças intransponíveis. O meu objectivo de chegar a Sagres levou-me de volta à estrada nacional e aí dei corda aos sapatos, isto é, pedalei costa abaixo!

Pelos campos verdejantes da costa alentejana

Pedalei a manhã toda por estrada nacional. Grandes descidas até Odeceixe, seguidas por uma grande subida até Aljezur. Viragem à direita para Vila do Bispo onde bem junto à Serra de Monchique com os seus altos e baixos lá para a zona da Carrapateira. Já no planalto "final", com Vila do Bispo ao longe, nova viragem à direita para voltar às falésias e às paisagens marítimas.

Vila do Bispo - Sagres

Estes 10Km entre Vila do Bispo e Sagres, em estrada durinha de terra avermelhada e molhada, com vento muito forte mas pelas costas, foram feitos a alta velocidade. A par do troço Cabo Sardão - Zambujeira, um dos melhores momentos de toda a viagem, com o prémio de chegar ao ponto mais Sudoeste da Europa, vindo de Lisboa, montado na minha bicicleta. E que bem que soube!

Eu, a bicicleta e o Cabo de S. Vicente!

Missão cumprida. Agora restava voltar para casa, de comboio. Primeiro teria de pedalar mais de 30Km, contra o vento até Lagos. Sem dúvida a pior parte da viagem. Como o objectivo era Sagres e já estava cumprido, decidi pedir boleia, sem nenhum sucesso. Até que um motorista de shuttle bus entre o aeroporto e hotéis da região estava com bastante tempo livre e decide levar-me mesmo até à estação. As coisas estavam a correr bem!

Peço o bilhete de comboio que me levaria de volta a Lisboa e sou informado da greve da CP. "De comboio não vai para Lisboa hoje, só se o for apanhar a Tunes daqui a 2h, que fica a 50Km". Ora bolas, que insólito. Vim eu de Lisboa até aqui e agora não tenho transporte de volta.

Autocarro, têm de haver autocarros! Pois, mas não transportam bicicletas. Encontro outros aventureiros na mesma situação que eu e lá tivemos de nos desenrascar. Com sacos, cartões e muita fita cola, lá "escondemos" as nossas bicicletas na mala do autocarro, um truque muito tuga para contornar o sistema.

Os meus companheiros de viagem de regresso e os nossos "cavalos de Troia"

O objectivo agora será repetir a viagem com mais gente, talvez começando em Sines e fazê-lo em 3 dias, no Verão, com mergulhos na praia e mais tranquilamente. Foi um belo passeio, mas o ritmo foi bastante alto: 240Km  em 15h, em terreno misto, com médias de 20Km/h em alguns troços.

29 janeiro 2011

Salto de pára-quedas em Évora

Num Sábado de manhã de Janeiro, com tempo instável e de guarda-chuva na mala, saímos de Lisboa em direção a Évora, com o plano de fazer um Salto Tandem de pára-quedas, sobreviver, dar um passeio por Évora, jantar e regressar. Tínhamos de gastar os vouchers que ganhámos no ano passado, no challenge da Merrell.


Fomos diretos ao aeródromo, vimos o ambiente, comemos uma canjinha de galinha caseira e seguimos para o avião. Foi chegar, ver e saltar!



Fizeram-nos a pergunta habitual: por mais 30 euros, saltam de mais alto e têm mais tempo de queda livre. Querem? Ninguém quis e seguimos para o avião. Daí a nada estávamos no chão.
Quem não dá 30 euros para saltar mais tempo também não dá 90 para ter o seu salto filmado. Por isso fotografias da louca viagem descendente também não há!


Eu, o Miguel o Tomás e a Elenor (não confundir com marcas de sujidade na lente)


Mas não nos podemos queixar. Na hora de abrir a porta do avião e saltar, uma nuvem amiga escondeu a pista lá em baixo e o instrutor deu instruções ao piloto para subir. Não era possível saltar dali, sobe, sobe, sobe! E nós subimos, subimos, subimos para depois saltarmos e descermos, descermos, descermos da altura mais alta que não pagamos.


Fui o primeiro a saltar, o que me deu o privilégio de fazer algo diferente! Já no avião, o instrutor explicou-me que me iria colocar totalmente do lado de fora do avião, antes do salto. Foi a melhor parte. Quando se pensa num salto destes pensa-se na descida, mas a saída do avião foi bem mais interessante para mim! 

Imaginem-se só a voar num pequeno avião a 4Km de altitude e depois alguém abre a porta. O que fariam? Claro que se dirigiam à porta e metiam a cabeça de fora para ver bem as vistas lá para baixo e, como é claro também, se penduravam do lado de fora do avião durante uns segundos, enquanto ele plana no ar a grande velocidade! Depois, o óbvio: saltam. Então, um avião no ar com uma porta aberta lá para fora… claro que o mais sensato é saltar porta fora. E puff, estás a voar.

A voar... quer dizer.... a cair! Esqueçam a paz do voo das gaivotas, ou das águias na montanha. Eu estava mesmo a cair. A cair em direção ao chão! Estão a ver aqueles sonhos em que estão a cair, mesmo? Ora, é mais ou menos isso, mas durante 40 segundos. A sensação de desamparo, de que nos vamos esborrachar na pista. Por outro lado o vento a fazer barulho, as nuvens e o frio (-16º quando saímos do avião). Muita coisa a acontecer até que o pára-quedas abre e ficamos numa paz aparente. Aqui sim estamos a voar.


A voar sobre o aeródromo de Évora

O voo é rápido até ao chão, com umas espirais que aceleraram o processo. A aterragem, apesar de fácil, é das partes mais arriscadas da atividade. A nossa decorreu sem problemas.

Uma aterragem controlada

Uma vez no chão, foi a descompressão. A análise de todas as sensações, de tudo o que se passou. Tudo ainda iria demorar o seu tempo a digerir! E por falar em digerir… quem ainda se lembra qual era o plano para o resto dia? Jantar em Évora, claro.

Os quatro "astronautas"

Levávamos uma recomendação de um restaurante chamado Quarta-feira. Fomos lá marcar o jantar para 6 e perguntámos pela ementa. O senhor, de uma forma arrogante, mandou-nos estar lá às 20h em ponto, como toda a gente e o jantar seria servido. Não teríamos escolha.

Viemos intrigados com o comportamento do dono do pequeno restaurante de 16 pessoas, mas às 20h em ponto lá estávamos. As entradas já estavam servidas e garrafas de vinho que não pedimos já abertas na mesa. O jantar não o escolhemos e a sobremesa seria uma surpresa. Nem sabíamos o preço daquilo.


Jantar no Quarta-feira

O veredicto: quando forem a Évora têm de vir cá jantar! É fantástico. Não precisam de escolher a comida e tal como em casa da vossa avó, sentam-se à mesa e comem comida acabada de fazer, muito saborosa. Menu completo. O preço é fixo e comem o que quiserem. A qualidade é excelente. O atendimento, claro foi muito personalizado. Demorou um pouco a quebrar o gelo mas depois de começamos a falar sobre os imensos símbolos maçónicos o senhor Dias soltou a língua e ficamos a falar até às 23h. Fomos os últimos a sair do restaurante mas ficamos com muito vontade de ficar e de voltar. E aconselho-vos a fazerem o mesmo. Recomendo!

E pronto, foi este o dia em que o número de descolagens de avião que fiz deixou de bater certo com o número de aterragens. Saltei de um avião!

10 outubro 2010

Merrell Urban Side (MUS) Lisboa

Dia 10 do 10 de 2010 teve lugar uma das mais divertidas corridas aventura do Mundo, a Merrell Urban Side! Mais conhecida por Oyster Urban Adventure Race nos EUA, esta prova junta várias equipas numa competição em que a velocidade não é o mais importante, mas sim o trabalho de equipa e acima de tudo, a estratégia (video). Com base nestes requisitos, fiz uma equipa ganhadora: Pedro, Rúben, Isabel e Miguel. Os PRIM, iniciais dos nossos nomes e também de "primeiros"!

As provas mega divertidas eram imensas! Haviam 10 percursos por toda a Lisboa e ainda 10 bónus extra. Tiramos muitas fotografias, corremos muito, tomamos decisões complicadas, mas acima de tudo divertimo-nos imenso! Não acreditam, vejam o video da nossa prova gastronómica:


Nesta prova teríamos de beber uma copada de Jeropiga num tasco típico de Lisboa. O tempo é importante, mas a diversão é ainda mais importante e fazia parte da estratégia! Entre brindes e cantigas lá bebemos a Jeropiga e pois tínhamos apenas 4 tentativas para apanhar 2 bolas de ping-pong com uma caneca de vidro! Tarefa difícil certo? Mas não para os PRIM. Rúben lança duas bolas certeiras que Pedro apanha com tranquilidade. Depois foi só curtir: Miguel a apanhar a bola pelas costas e Pedro a fazer lançamentos à retaguarda. Mais videos das outras provas aqui.

De todas as outra provas, houve uma que nos deu especial gozo: Tirar uma fotografia, dos quatro, dentro do Metro. Ora, nós não queriamos viajar de Metro, faria-nos perder tempo! Então tivemos uma ideia, mas precisavamos de ajuda. Alguém que nos tirrasse uma foto no curto espaço de tempo que o Metro mantém as portas abertas numa estação. O resultado foi este:


O Miguel com o pé a segurar a porta e com cara de assustado, Rúben descontraído, mas Isabel em pânico e Pedro a disfarçar o nervosismo de ter a sua câmera nas mãos de um estranho que teria de tirar uma foto em tempo record e devolvê-la, tudo enquanto o diabo esfrega um olho, que é como quem diz, as portas do Metro abrem e fecham. Prova superada!

Podia ficar aqui relatar o quão divertidas foram todas as provas, mas tenho de passar ao tema seguinte: a competição! Haviam 2 escalões diferentes: o mais descontraído (Cool) com regras menos rigorosas e o mais atlético (Warm) com regras mais exigentes para as equipas. Participamos no Warm, mais competitivo e mais atlético. Com a melhor estratégia de todas as equipas participantes e com a multi culturalidade diversificada da nossa equipa superamos com sucesso grande parte das provas. Resultado: ganhamos o MUS!

Foi uma enorme surpresa para todos nós! Sem dúvida que a melhor estratégia para ganhar a corrida mais divertida de Lisboa é divertirmo-nos! Foi o que fizemos e o resultado foi o esperado. Além de termos ganho uma experiência memorável, ganhamos também 5 experiências Odisseias cada um.

07 julho 2010

Lisboa Sport Show Challenge

Graças ao PortalAventuras, ganhei 2 convites para o Lisboa Sport Show 2010 na FIL, uma feira de desporto e actividades náuticas. Fui lá durante a semana, à noite, e reparei numa prova "radical" que eles tinham lá, com prémios bastante bons. A prova consistia em:
  • escalar uma torre vertical
  • atravessar em paralelas para a torre gémea
  • descer em rappel
  • percurso de BTT
Participei e fiz todo o percurso em 48 segundos. Ora, este era (de longe) o melhor tempo até ao momento. Se ficasse entre os 16 melhores tempos, poderia participar na final, no Domingo. Mas eu tinha de ir a Penafiel esse fim-de-semana e estava indeciso. Quando vi os prémios no valor de cerca de 800€, decidi-me:
  • uma bicicleta SCOTT + capacete Met + luvas SixSixOne
  • um fim-de-semana no hotel Bom Sucesso em Óbidos
  • 4 aulas de surf com a Alfarroba
  • um telemóvel
Então no Domingo lá vim propositadamente de Penafiel para a grande final do Lisboa Sport Show Challenge. Seria uma eliminatória entre os 16 melhores tempos. A maioria dos concorrentes eram atletas de Parkour. Havia também alguns escaladores de fim-de-semana.

As eliminatórias começaram e os atletas de Parkour começaram logo a eliminar os escaladores. Eu eliminava os atletas de Parkour. Rapidamente se criaram duas claques: escalada vs Parkour. Estavam lá os melhores do Parkour nacional e eu, "o escalador mais rápido do país". Numa meia-final, um forte escalador que me faria grande concorrência na final é eliminado por um rapidíssimo atleta de Parkour! Eu eliminei um dos mais fortes atletas de Parkour na outra meia-final. A final prometia e a RTP2 ligou em directo para transmitir a final!



Partimos bastante rápido, subimos a parede ao mesmo tempo, atravessamos as paralelas sincronizados, mas no rappel ganhei algum avanço. Na segunda subida da parede, escorrego no final (ai as sapatilhas largas...). Perco toda a vantagem ganha no rappel. Mas rapidamente empato novamente nas paralelas e ganho novamente vantagem no segundo rappel, saindo com alguns segundos de vantagem para o pequeníssimo (mas escorregadio) percurso de BTT. Ganhei confortavelmente, com direito a entrevista em directo para a RTP2 :)

12 junho 2010

Mayencos 2010 - Canyoning

Esta foi a actividade anual do NME, como sempre com o João Graça: Mayencos 2010, um encontro de canyoning nos Pirenéus. O Encontro deve o seu nome a um fenómeno que acontece a partir de Maio, pois o sol fica mais intenso e ao meio dia solar a temperatura aumenta fazendo derreter a neve/gelo das montanhas dos Pirenéus. O nível dos rios aumenta consideravelmente e visivelmente da parte da tarde, algo muito importante (e perigoso) para o canyoning!

Fizemos a habitual viagem de 12h desde o Porto para chegarmos a Murillo de Tou um dia antes do encontro. Aproveitamos para descer o Lapenilla, um rio bastante seco mas bonito. Ao final da tarde começou então a "festa"!

Festa de boas vindas, com vinho e jamon!

Instalamo-nos no parque de campismo e ofereceram-nos umas t-shirts amarelas/verdes fluorescentes, que nos identificavam em qualquer lugar por onde andássemos. Grande sucesso estas t-shirts!

Nem a câmara conseguiu captar a incandescência das t-shirts!

Passamos 2 dias a fazer canyoning, começando pelo Barranco del Lugar, Garganta de Escuaín, Gloces, Furco e acabando no Consusa e Miraval. Tinha chovido imenso e os rios levavam muita água. Além do fenómeno de Maio, tínhamos contra nós a imensa chuva e trovoada que acabou por nos cancelar alguns planos, obrigando-nos a fazer um pouco de turismo pela vila de Aínsa.

Passeio pela vila de Aínsa

Mas no final o balanço foi mais do que positivo. Tivemos a oportunidade de conhecer uma zona nova de canyoning, mesmo ao lado de Guara, num encontro fantástico e muito bem organizado. Pena foi o nosso azar em não ganhar nada num gigante sorteio em que mais de 80% das pessoas trouxeram prémio para casa, desde mochilas, cordas ou fatos de neoprene!

Mega jantar para 300 pessoas, com distribuição de mais de 200 prémios.
A nós não saiu nada!

Depois do encontro ainda ficamos mais dias a fazer canyoning na Serra de Guara, em Rodellar, mas a chuva não nos deixou fazer grandes planos! Mas sempre deu para escalar um pouquinho...

Barranco Lapenilla - Mayencos 2010

Para começar as férias, decidimos descer o Barranco Lapenilla, uma descida que não apresentava dificuldades de maior pois era quase seco, bastante curto e bem perto do local do encontro. As condições ideais para nos ambientarmos ao local!

Tradução: "Venham daí, está tudo bem!"

Estava calor. O rio quase não levava água e nós carregados que nem uns burros, fato de neoprene de 5mm e tudo!



Calor e demasiado material às costas, mas tudo correu bem, pelo menos até ao último e maior rappel. Era necessário unir as duas maiores cordas que trazíamos, uma delas era nova. Ora, o que acontece com as cordas enquanto são novas: grandes sarilhos...


Passamos uns bons 20 minutos pendurados a desensarilhar a corda, mas nada de grave. Tínhamos tempo, era o primeiro dia e não haviam razões para grandes stresses. Afinal as grandes férias de canyoning estavam a começar!

Rappel final do Barranco Lapenilla

Barranco del Lugar + Garganta de Escuaín - Mayencos 2010

A Garganta de Escuaín é um canyon lindíssimo, cujo acesso aconselhado é feito através de um outro canyon mais curto, o Barranco del Lugar. No espírito de "encontro de canyoning" conhecemos e juntámo-nos a 4 valencianos para esta "aventura".

Quatro novos amigos de Valência

O grupo, de seis, funcionou bem e rapidamente ultrapassamos o Barranco del Lugar para chegar a uma fantástica garganta, com muita água que nos levou a um dos locais mais belos do canyoning da região.

João no final do último rappel, o mais bonito!

As cores e a dimensão do rio impressionam. Laranja, amarelo, verde, azul claro e escuro, branco... Parece uma pintura impressionista!

Eu, no mesmo rappel, mas com perspectiva inversa

Que excelente forma de começar o encontro! Muita beleza natural para contemplar e tudo a correr como planeado. Dois canyons numa manhã... isto promete! Seguimos para mais um de tarde!

João Graça, Garganta de Escuaín

Furco + Gloces - Mayencos 2010

Estes são dois pequenos canyons, muito curtos mesmo, mas muito comerciais. Isto só poderia querer dizer uma coisa: muita beleza, muita diversão e poucas dificuldades. E não é que acertámos?

O Gloces fez lembrar o Gorgonchón! Troço curto, muito estreito mas extremamente belo! Parecia que estávamos a caminhar por uma gruta.

Gloces (a única foto de jeito dadas as más condições de luz)

O Furco foi, sem dúvida, o canyon que mais nos surpreendeu. Era ainda mais curto que o Gloces, mas muito concentrado. E a sua beleza.... poderão comprovar pelas fotos.


Não só era belo como divertido. Tinha um tobogã de 8 metros que terminava com um pequeno salto para uma piscina intermédia, antes da cascata que vêem em cima.

João, depois de ter escorregado pelo canal de água

As condições não estavam as ideais para os turistas, havia muita água para eles... mas para nós não! Estava perfeito! Como já disse, era muito curto, mas foi não só dos mais belos e divertidos como um dos mais "lentos" pois paramos imensas vezes para fazer fotos e videos para mais tarde recordar.

João a dobrar a corda!



Vegetação procurando a luz no topo da cascata

Barranco de Consusa

Deixamos para o último dia um dos melhores rios da zona: o Consusa. Existe um modelo de mochilas com este nome e para nós isso é sinónimo de qualidade. Ninguém iria dar um nome a um produto que se quer com boa imagem de um canyoning que não valesse a pena.





A grande particularidade deste canyoning era o grande desnível em tão curto percurso. Em apenas 500 metros de rio descemos 250 metros em mais de 20 rappels quase consecutivos. Ora, para saber qual a altura de cada rappel, tínhamos de ter uma boa cabeça, ou neste caso, um capacete com o croquis colado!



Croquis dos mais de 20 rapeis colado no meu capacete. Uma ideia brilhante!


As previsões atmosféricas não eram as melhores para um rio tão encaixado, sem escapatórias e o efeito "Mayencos" deveria fazer subir o nível do rio lá para o inicio da tarde, por isso fizemos deste rio um exercício de rapidez e concentração, para que tudo corresse bem! Mas dava sempre para tirar uma ou outra foto!

Eu no fundo do rappel da foto anterior, uma parte em que o rio fica subterrâneo.

João numa secção técnica e muito encaixada, com rocha muito polida pela força da água

Última cascata, quase seca

Como podem ver, o nosso medo relativamente à quantidade de água não confirmou, mas a beleza essa estava lá toda! No entanto soube-nos a pouco. Já passamos por grandes aventuras em Portugal, rios técnicos, grandes caudais, água fria, etc. Em Espanha nunca tínhamos tido nenhuma aventura digna desse nome.

Final do Consusa, à hora de almoço. Descida bastante rápida!

Ficamos sem planos para a tarde e a pensar em aventuras! Lembramo-nos das técnicas de águas-bravas (águas vivas) e do Rio Miraval, onde seria possível praticar canyoning desta forma ainda nova para nós. Arrumamos tudo e fomos a correr procurá-lo!


Barranco de Miraval

O Miraval tem duas secções distintas: a superior, mais encaixada e técnica e a inferior, que é praticamente um rio aberto. Como procurávamos aventura, dirigimo-nos à primeira.

Não nos esperava nenhum rappel, só uma espécie de "rápidos" por uma zona muito estreita entre rochas, que rapidamente nos tornou prisioneiros do leito do rio. Não conseguíamos escapar pelas margens e voltar para trás, como em todos os canyonings, está fora de questão.

Passamos vários sustos e perigos. Afinal, todo um rio estava a passar por apenas 1 ou 2 metros de leito encaixado entre paredes enormes. E nós, sem outra opção, éramos levados pela corrente. Tudo foi correndo mais ou menos bem, com maior ou menor adrenalina, até que chegamos à parte mais encaixada de todas!!!

Todo o rio teria agora de passar por apenas 1 metro de garganta. Imaginam a turbulência! Para piorar as coisas, tudo isto começava com um pequeno ressalto de meio metro. Teríamos de arriscar a nossa integridade nessa garganta. Durante quanto tempo? Não sabíamos! Conseguíamos ver uns 10 metros de garganta, uma curva de 90º à direita e depois não fazíamos ideia. O que estivesse depois da curva seria algo que teríamos de superar astutamente, pois vindos sem preparação e a alta velocidade deste troço já de si perigoso, não teríamos grandes opções.

Paramos. Ficamos ali a pensar em alternativas:
  1. ficar ali à espera que o caudal baixasse. Poderia demorar dias! O tempo estava instável e o risco do caudal aumentar era maior que a probabilidade dele vir a descer.
  2. ficar ali à espera que viesse mais alguém. Pois, mais gente maluca que se metesse num buraco sem saída sem saber
  3. escalar a margem ou voltar para trás. Impossível. As paredes estavam molhadas e polidas, sem sítio onde agarrar, para além de medirem mais de 20 metros, que teríamos de escalar sem protecções de segurança.
  4. hum... pois... atirarmo-nos para a boca do lobo e esperar que ele nos cuspa vivos do outro lado da curva!
Escolhemos a última opção. Nós queríamos aventura, não queríamos? Então íamos tê-la. Não me lembro bem porquê, mas eu seria o primeiro a "saltar" (João, como me convenceste?). Coloquei-me em posição, preparei-me, olhei uma última vez para o céu e vi a luz! Não a luz do céu, pois o rio mais parecia uma gruta, bastante escura. Vi sim uma plaquete! Algo que nos poderia tirar dali com vida. Mas para que servia a plaquete? Rapidamente percebemos. Teríamos de escalar até ela (+/- 5 metros), segurarmo-nos, já por cima do pequeno ressalto e rappelar até ao nível do rio novamente, já depois do ressalto. Assim conseguiríamos atravessar toda a zona perigosa, fazendo oposição entre as duas paredes, tal como o exemplo  da foto abaixo mas ambiente mais escuro.

Eu no Gorgonchon, no ano passado

Úfa... já nos livramos desta! Rapidamente chegamos a uma secção mais aberta do rio, onde poderíamos escapar pela margem esquerda e finalmente respirar e tirar fotos. Sim, porque com toda a tensão não houve cabeça fria para registar o momento para a posteridade.

João na saída da parte mais encaixada do Miraval.

Estão a ver bem toda esta água? Sim, este rio passava em zonas estreitas com pouco mais de um metro. Imaginem a "porrada" que nós levamos. Agora imaginem toda esta água a passar por apenas 1 metro de leito, durante mais de 10 metros. Agora multipliquem por mil e têm uma ligeira percepção da alhada em que nos metemos. Queríamos aventura e aqui está ela.