Lisboning

Maio 31, 2009

Maratona de BTT em Penafiel

Estava eu no meu passeio matinal de bicicleta, em preparação para as minhas próximas férias nos Alpes, quando vejo um grande ajuntamento de BTTs. Era a 1ª Maratona de BTT de Penafiel. Por 10 euros poderia participar no percurso de 35Km que não sabia muito bem por onde andava nem quanto tempo demorava. Como não tinha dinheiro comigo limitei-me apenas segui o pelotão e infiltrei-me na corrida.


Cedo comecei a ultrapassar os mais gordinhos, depois os mais velhinhos e também os mais novinhos. Piquei-me com um dos poucos que me ultrapassou nesta fase inicial e fiz cerca de metade do percurso sempre atrás dele, até ao 1º posto de abastecimento. Aí optei por uma "refeição ligeira" e segui caminho o mais rápido possível, ganhando bastante tempo a mais de uma dezena de participantes. Ainda voltei a ser ultrapassado pelo mesmo corredor, seguindo novamente na roda dele, mas numa das subidas seguintes foi-se abaixo e ultrapassei-o novamente para nunca mais o ver...

Altimetria, bem durinha, do nosso percurso: desnível acumulado > 1500m

Como podem ver na parte final tinha uma enorme descida e uma subidinha final "a matar". Eu fui abaixo fisicamente cerca do quilómetro 32... ali naquelas 3 subidas finais, fazendo a mega-descida já sem fôlego mas sempre na roda dos mais rápidos. Naqueles 100m de desnível finais desmontei a bicicleta, empurrando-a vagarosamente subida acima, sendo ultrapassado por alguns dos mais directos "adversários", incluindo o meu amigo do picanço...

Olha ali um gajo de t-shirt laranja, sem número identificador!

Resultado final, cheguei no grupo da malta que fez 2h47m... lá para o 50º lugar, de 106 no total. Nada mau para o único participante que não estava equipado a rigor, que fez a prova com uma bicicleta com luzes traseiras, um assento mega confortável para o meu pai não aleijar o rabo e, mais importante, principalmente nas descidas, a campainha :)

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Maio 20, 2009

Surpresas 2009

O passeio Surpresas, se bem se lembram, é uma actividade organizada na comemoração do aniversário da PT Inovação de Aveiro, onde estive a trabalhar durante cerca de 1 ano e meio. No ano passado foi assim, e ganhamos uma viagem ao Brasil! Este ano, o objectivo era manter a boa prestação do ano anterior e se possível, ganhar mais uma viagem! A pressão era grande.

Tema: "Piratas das Caraíbas"
Participantes: 50 equipas de 6: 300 pessoas no total
Prémios: 1º viagem às Caraíbas, 2º viagem ao Brasil, 3º viagem a Maiorca

A nossa equipa manteve-se e a estratégia também: preparar muito bem a prova nocturna de encenação e dar o máximo na prova diurna!

A nossa encenação de um jantar de Piratas!

Este ano a prova foi uma surpresa, como sempre. Todas as dificuldades dos anos anteriores estavam presentes: longas distâncias a percorrer, estratégias de prova, provas radicais e, a mais decisiva, os cromos!

Eu a explicar como fazer o salto do Tarzan! Prova superada in extremis

Este ano percebi que o factor diferenciador que iria distinguir a equipa vencedora seriam os cromos! Havia uma caderneta de 100 cromos a preencher. Cada equipa ia recebendo carteirinhas de cromos pelas provas que realizava. O objectivo era manter uma troca permanente de cromos entre equipas até conseguir completar a caderneta!

No final, os cromos que sobrassem eram convertidos em pontos, por isso, sempre que podíamos, andávamos a correr atrás de todas as equipas para trocar cromos!

"Descançadinho" a posar para a foto, mas pronto a arrancar!)

Foto tirada, agora deixem passar que eu quero ir para as Caraíbas!

A entrega durante o dia foi muita e andamos quase todo o dia na "frente da corrida" relativamente às outras equipas. Só teriamos de ter calma e responder correctamente a todas as perguntas do percurso, pois a estratégia estava perfeita.

À noite, a encenação correu-nos bastante bem. Tinhamos bons adereços como o esqueleto em tamanho real, algo que nos ajudou a diferenciar das outras equipas, pois todas estava vestidas de pirata, como nós (salvo raras e imaginativas excepções).


Além de algumas pequenas provas, ainda tive de fazer uma improvisação de cerca de 2 minutos no palco... tudo a contar para a pontuação final... tudo surpresa... tudo sem preparação!

Improvisação dos piratas

Enfim, foi uma prova memorável! Muita animação todo o fim-de-semana e, apesar de termos levado a competição a sério, divertimo-nos imenso! Sem dúvida uma actividade a repetir por muitos e longos anos!

Mas agora vamos ao que interessa! As pontuações. Estávamos convictos que a prova nos tinha corrido bem, excepto a de Domingo de manhã, em que metemos os pés pelas mãos nas respostas de algumas perguntas. O primeiro lugar estava fora de questão (pensávamos nós) mas a esperança de ficar em 3ª ainda existia!

Para nossa desilusão, ficamos no pior lugar de todos, aquele que fica logo a seguir aos bons prémios, às viagens! O quarto lugar...

Esperamos pelas pontuações finais, para perceber o que tinha corrido menos bem e a que se devia tanto azar!

Total | Improvisação | Dia 1 | Dia 2 | Cromos | Caderneta

Quando abri o e-mail das classificações, enviado dias depois, nem queria acreditar: estávamos em 3º lugar! Tinha havido engano na contagem dos pontos. 3 pontos de vangatem (em 2500) deram-nos a viagem a Maiorca! Apenas 16 pontos separaram a nossa equipa do 6 lugar (que levou umas garrafas de vinho para casa). Sabem o que são 16 pontos? São apenas 16 cromos... cromos esses que se trocavam entre equipas, no final da prova, às dezenas. Cheguei a fazer vários negócios de "cromos raros", depois de ter a nossa caderneta completa, trocando 1 cromo meu (raro) por 40 cromos repetidos de uma equipa que ainda nao tinha a caderneta completa!

Fantástico, mais uma viagem, desta vez 7 dias para Maiorca em pensão completa! Objectivo cumprido, graças ao nosso maravilhoso trabalho de equipa:

Natália, Jorge, Paula, Célia, Rui e eu

Pró ano é para ficar em primeiro!

Maio 17, 2009

Pés de gato voador

A Decathlon teve a excelente ideia de promover o seu novo modelo de pés-de-gato com um passatempo de escalada: o escalador mais rápido a subir uma parede de escalada propositadamente montada para o efeito na fachada da loja, levaria para casa um par de pés-de-gato. Eu agradeci a ideia.


Logo no primeiro dia do passatempo, dirigi-me à parede equipado a rigor (o que motivou algum alvoroço entre os funcionarios) e preparei-me para bater o anterior record de 29 segundos. Mais confiante que a audiência, usei a minha única tentativa para subir a parede em pouco mais de 16 segundos.

Não contente com a prestação, pedi para treinar 5 a 10 minutos, (já sem contar para o passatempo). Baixei o tempo para 11 segundos e fui para casa, confiante que 16 segundos à primeira tentativa seria um tempo difícil de bater.

No Domingo tive a confirmação: os pés-de-gato eram meus! O segundo melhor tempo foi quase de 20 segundos e eu levei para casa mais um par de pés de gato, que tanto jeito me dão.

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Maio 10, 2009

Curto-circuito

- Ui, usas a máquina de barbear no duche? Ainda apanhas um choque!
- Não porque não tem voltagem nem amperagem suficiente...
- Não tem o quê?
- Olha, se tocares numa pilha com os dedos nas pontas, também não apanhas choque, certo?
- Oh, mas a pilha não está molhada!

Maio 09, 2009

Dádiva de aferese

Da última vez que fui dar sangue ao IPO de Lisboa, 'cravaram-me' para doar plaquetas pois "tinha boas veias". Apesar de ser parecida com uma dádiva de sangue normal, esta dádiva é bastante diferente. Consiste em estar ligado a uma máquina que separa os vários componentes do sangue, extraindo-os e devolvendo de seguida o sangue ao meu corpo.


A previsão para a minha colheita era de 70 minutos para recolher plasma, plaquetas e glóbulos vermelhos. Depois de já estar ligado à máquina com uma agulha bastante grande, explicaram-me o que tinha de fazer para 'ajudar' a máquina na recolha e retorno do meu sangue, bem como de alguns efeitos secundários. Relaxadamente a ver podcasts, não estava muito atento à máquina e ela chateou-se. "Pressão baixa", queixava-se em espanhol. Uma enfermeira antipática a querer ser simpática diz-me para ajudar a máquina... "senão não valia a pena cá vir". Eu lá desliguei o iPod e fiquei a olhar para o indicador de pressão arterial da máquina, esforçando-me por mantê-lo a níveis óptimos.

Quando chega a enfermeira simpática, pergunta-me se está tudo bem, ao que respondo com um desconfiado e conformado "sim...". Ela percebe logo que algo não está bem:
- O que se passa?
- Estou um bocadinho enjoado e sinto o corpo ligeiramente dormente... mas estou bem!
-
Enjoos não são normais, vou chamar a médica.
- Mas... mas... quando dou sangue estou ainda mais enjoado! É normal.
-
Na dádiva de sangue é normal, aqui não.

Chegada a médica dá ordem para desligar a máquina (aos 40min de dádiva) e para me trazerem um café. Sobe-me as pernas e baixa-me a cabeça, pedindo-me para tossir, enquanto faziam leituras consecutivas de pressão arterial na minha perna.

Depois de me retirarem a agulha, passam a ler a pressão arterial directamente no braço (medições mais precisas) e vão-me buscar o 2º café.
- Estou com a tensão baixa? - deduzo eu de uma forma muito perspicaz!
- A máquina diz que estás morto.
- Oh, está avariada...
- Está, está... bebe lá o café todo até ao fim!

Algum tempo depois sobem-me ligeiramente a cabeça (estava quase de pernas para o ar) e consigo ver a leitura da pressão arterial: 5,5 - 11,0.
- 5.5? É um bocadinho baixo, não é?
- Já esteve a 4.
- Hum... medido na perna ou no braço?
- Nos dois...

Eu sentia-me bem. Mal desligaram a máquina fiquei completamente normal e bem disposto. Mas se a máquina não estava avariada, com aquela pressão arterial desmaiaria ao levantar-me da maca.

Já agora, Sra. enfermeira antipática: se a máquina disse "pressão baixa" era porque ela estava baixa. Ok?

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Abril 22, 2009

CNU Escalada - Porto

Fui, pela primeira vez, o equipador de uma prova de escalada, o Campeonato Nacional Universitário. Era o responsável pela criação das vias de escalada para as eliminatórias e finais, masculinas e femininas.

Eu a trabalhar no Sábado

Trabalhei imenso na véspera (com a ajuda do Marco e do Tiago)! Mal dormi e mal estive com a família nesta visita ao Norte. A responsabilidade era muita, a experiência pouca e as coisas não estavam a correr nada bem durante as eliminatórias, com tempos de espera para os atletas muito longos e com muitas pessoas a encadear sem dificuldade as vias que eu fiz. Se às 16h me pudesse tele-transportar para longe dali, faria-o sem grandes hesitações.

No entanto, nas 3h seguintes apenas tive um grande mas compensador stress. Quatro atletas estavam quase empatados na final masculina. Era necessário inventar uma nova via para encontrar o vencedor.

Numa emocionante super-final, Manuel Filipe Carvalho quase que encadeia a via, não deixando dúvidas sobre quem era o mais forte!

Eu com o vencedor: o meu primo Filipe!

Após tanto stress e alguma reflexão, tenho de fazer um balanço extremamente positivo:
  • a qualidade das vias das finais era boa;
  • com vias tão fáceis nas eliminatórias, toda a gente ficou com vontade de competir mais e até participar nas provas federadas nacionais;
  • consegui reagir muito bem à responsabilidade que me era atribuída, quer como júri na hora da decisão, quer como escalador mais experiente nos momentos mais críticos.
Foi deveras surpreendente assumir um papel tão idolatrado por mim há bem poucos anos. O estereótipo do escalador. A referência para muitos daqueles iniciantes da modalidade. Fiz tudo para passar uma boa imagem, para os motivar e para dar um bom exemplo, quer de segurança, quer do prazer que esta modalidade nos pode dar. Espero ter conseguido!

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Abril 10, 2009

Canyoning – Serra de Guara (Barrancos)

Nestas férias da Páscoa fui com o João Graça numa actividade de canyoning organizada para o NME. O objectivo era conhecer e realizar o maior número de barrancos da Serra de Guara, um local muito conhecido para a prática da modalidade.

Depois de uma viagem de 9h, montamos a nossa base no Camping Mascún e logo começamos a preparar o plano de ataque aos barrancos. Aqui fica o resumo das actividades (com links para os posts mais completos):

1º dia: atacamos logo um dos maiores, mais frequentados e frios percursos da região: Barranco Gorgas Negras (link para o post).

A nossa casa por 1 semana

2º dia: já preparados para descer o Barranco Formiga, descobrimos que este estava interdito! Passamos de imediato para aquele que seria o segundo percurso do dia, o Barranco Gorgonchón (link para o post) e fomos escalar em Rodellar da parte da tarde.

João e eu na zona mais encaixada do Barranco Gorgonchon

3º dia: dia de mau tempo. Choveu copiosamente durante mais de 24h. Só saímos da tenda às 15h aproveitando para recuperar fisicamente da tareia que levamos no primeiro dia. De tarde (e quase todas as noites) jogamos Carcassone e preparamos o programa para os próximos dias.

Aspecto do parque de campismo deserto no dia de chuva

4º dia: com o bom tempo realizamos o Barranco Palomo (link para o post) e o Barranco Portiacha no Rio Vero (link para o post).

O nossos mega jantares à base de massa insossa, atum e, às vezes, polpa de tomate doce

5º dia: apesar das previsões de mau tempo, neste dia foi possível fazer o mais famoso e bem cotado percurso da Serra de Guara: o Barranco del Mascún (link para o post). Fechamos com chave d’ouro! No final do dia ainda fui escalar mas sem resultados...

A derreter Nutella para barrar o pão, antes partir para o Barranco del Mascún

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Abril 09, 2009

Canyoning - Barranco del Masún

Este é sem dúvida o ex-líbris da Serra de Guara. É o percurso mais completo e o mais bonito de todos os que fizemos.

Vista sobre a Citadella del Mascún

Mais uma vez saímos de manhã bem cedo pois este seria uma actividade bem longa (cerca de 9 horas) que começa com uma fantástica caminhada que sobe pelo leito do rio remontando depois pela margem esquerda até ao todo da Citadella del Mascún.

Primeiros raios de sol da manhã, no percurso de acesso

Passamos pela aldeia abandonada de Otín, sempre com paisagem fantásticas que justificam a passagem do GR1 por esta zona. Mais uma vez levávamos imenso material às costas! Eu, depois de aprender a lição com o Gorgas Negras, levei as sapatilhas habituais de caminhada e um fato mais leve, preferindo passar mais frio mas ter mais conforto.

Aldeia abandonada de Otín, ao fundo

Depois de mais uns quilómetros, chegamos ao início do Barranco del Mascún (Superior), onde encontramos mais 5 pessoas, prontas a descer. Equipamo-nos rapidamente e fomos os primeiros a iniciar a descida, que começava com um bonito salto.


Depois do salto, uma bonita e aberta cascata com bastante água. Foi a mais divertida da semana! Gostávamos que todos os barrancos tivessem sido assim, com água e cascatas imponentes...


Durante a descida ainda encontramos outra cascata como esta, que nos satisfez a sede por este tipo de obstáculos. Mas o Mascún ainda tinha mais coisas para nos mostrar!


Primeiro foi uma mega gruta de 50 metros, pela qual tínhamos de passar para continuar a descida. Era uma gruta que, apesar de mais pequena, fazia lembrar as caldeiras da Graciosa.

A saída da gruta

Foi um obstáculo diferente e bonito, esta gruta, que se torna uma armadilha muito perigosa no caso de chuvas torrenciais.
Outra técnica nova que não é habitual por Portugal são os tobogãs. Aqui também não abundavam, mas sempre deu para experimentar.

Eu num pequeno tobogã

Depois, para finalizar este troço, veio uma secção mais encaixada, com alguns pequenos rapeis. Num deles, quase se dava um acidente. Ignorando as ancoragens para um pequeno rappel de cerca de 5 metros, decidi destrepar pela cascata e saltar os 3 metros finais para o que parecia ser uma piscina funda. Erro comum e causa de inúmeros traumatismos! A piscina tinha cerca de 30cm de profundidade e eu, com o salto, devo ter ficado uns centímetros mais curto!


Senti um grande choque nos joelhos, pernas e pés e caí para a frente, com a mochila (pesada) às costas. Apenas fiquei uma pequena luxação no dedo grande do pé esquerdo que, devido à água fria, só me "chateou" mais para a noite, já na tenda...

Depois deste episódio chegamos ao fim do Barranco del Mascún Superior para encadear, logo de seguida, a secção inferior, separada por um pórtico natural de rocha:

'El beso', o pórtico que divide o Mascún Superior do Inferior

A secção inferior tinha ainda um pequeno rappel com imensa água que nos deu bastante gozo fazer.


Além deste rappel, apenas registamos mais e mais paisagens fantásticas à medida que víamos o tempo a ficar cada vez pior, ameaçando chover a qualquer momento.

Reflexo (Barranco del Mascún Inferior)

Voltamos a passar pela Citadella del Mascún, desta vez com uma perspectiva mais interessante.

Estivemos quase para terminar o dia com uma via ferrata até ao início do Barrando de la Virgen mas estava "ocupada" com um grupo muito lento de turistas da Semana Santa e decidimos regressar rapidamente ao campismo para regressar ao vale de Rodellar para escalar no sector das Ventanas del Mascún.


João a olhar para a via ferrata, com as Ventanas del Mascún ao fundo

Para finalizar, mais uma história... desta vez feliz:
Na secção mais encaixada deste percurso o João pergunta-me:
- Tens a minha máquina fotográfica?
- Não - respondo eu - tu é que a tens... ainda agora me tiraste fotos.
- Perdi a máquina!
Passamos 10 a 15 minutos à procura da máquina e a tentar escalar a cascata que tínhamos acabado de descer até que aparecem os espanhóis atrás de nós. Fazemos-lhes sinal para procurar uma máquina nas profundezas das piscinas de cima e, passados uns segundos, um deles levanta na mão direita a bolsa preta da máquina! Ai que sorte João!



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Abril 08, 2009

Canyoning - Barranco Portiacha e Argantín

À procura de emoções fortes e descidas vertiginosas, dirigimo-nos para os afluentes do Rio Vero, nomeadamente o Barranco Portiacha com duas imponentes cascatas de 35 metros no seu perfil!


Depois de umas confusões com os mapas de acesso, percipitamo-nos colina abaixo pois segundo o croqui, o percurso iniciava-se logo ali junto ao parque de estacionamento. Chegados ao curso de água mais próximo (Rio Vero), não vimos nenhuma cascata e logo percebemos que estávamos errados. Decidimos percorrer o rio pela margem até encontrar o afluente que buscávamos.

Pequeno afluente do Rio Vero, chamado Barranco Argantín

Encontramos este pequeno afluente e um rappel equipado que logo descemos, na esperança de ter encontrado o Barranco Portiacha. Mas não encontramos nenhum rappel de 35 metros e logo voltamos ao Rio Vero, com as suas imponentes margens!


Neste preciso local encontramos um grupo de pessoas a fazer canyoning que nos explicou como chegar ao Portiacha. Teríamos de voltar ao parque de estacionamento e recomeçar tudo de novo quando percebemos que estacionamos no parque errado! Detectado o erro, remontamos ao parque correcto e logo tudo começou a bater certo. Mesmo ao lado do estacionamento fomos presenteados com dois rapeis suspensos de 35 metros mas, sem água. Zero...


Percebemos porque é que havia uma advertência no croqui para o final do percurso, onde "teríamos de molhar os pés para regressar ao caminho"... Molhar os pés? Mas o que era isto? Outro como o Palomo?


Valeu pelas fotos e, mais uma vez, pelos percursos de acesso e regresso do canyon. O vale do Rio Vero era lindíssimo e as várias vezes que tivemos de o atravessar eram compensadas pela maravilhosa paisagem!

Velho moinho na margem do Rio Vero

Por fim, uma triste história:
Ia eu a descer o Barranco de Argantin, completamente seco, sem fio de água, com a minha máquina fotográfica pendurada no arnês, enquanto saltava de pedra em pedra, por entre a vegetação. Comentei com o João:
- Há dois tipos de pessoas no canyoning: as que vão pelo rio e as que vão pelas margens - criticando o facto dele estar a caminha alegremente pela margem enquanto eu aproveitava ao máximo a pouca qualidade do pequeno afluente.
Segundos depois, num salto mais descuidado, acerto com a máquina em cheio numa das pedras do caminho, partindo o ecrã ao que o João (e eu próprio) se desatou a rir da situação insólita!

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Canyoning - Barranco Palomo

Não encontraremos um canyoning igual a este em nenhuma parte do mundo! Espero eu...


Imaginem um canyon onde é proibido tocar na água. Estraga o eco-sistema das plantazinhas que enchem o curso do rio de musgo, dizem eles... Mas acham que os espanhóis interditaram a descida deste barranco? Nada disso! Desataram a furar a rocha toda, colocando cavilhas de ferro e um mega cabo de aço para os "turistas" não perturbarem o eco-sistema!

O resultado está à vista: um canyon faquir!

Descemos rappel após rappel sempre com algum receio e bastante revolta pois fazer rappel nestas condições pareceu-nos bastante perigoso. À mínima escorregadela acabaríamos com uma cavilha espetada nas costas...


Foi intenso, curto e muito quente! Com fato vestido e sem poder molhar os pés sequer, agradecemos o facto deste canyon ser também bastante sombrio. Um conselho: façam-no de Verão... mas a subir pelas cavilhas!


Mas isto tudo até começou muito bem! O acesso era feito pela face de uma enorme parede de rocha, equipada também com cavilhas e cabo de aço (desta vez essenciais) que nos levavam a um anfiteatro lindíssimo que dava início à descida.

Best picture of the whole vacations!

Anfiteatro de início do Barranco de Palomo

Foi sem dúvida uma actividade memorável! Melhor percurso de acesso de sempre, seguido por uma descida surreal... viva a variedade encontrada na Serra de Guara.

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Abril 06, 2009

Canyoning - Barranco Gorgonchón

Este foi o percurso mais intenso que já fiz. Tem apenas 100 metros de distância, chega-se lá em menos de 15min e o regresso são 30. Menos de 2h de actividade.

Em baixo à direita, a fenda (de 20m de altura) do Gorgonchón

O croqui não era nada meigo quanto ao perigos deste rio: muito estreito e sombrio, frio e perigoso com muito caudal e, muita atenção, uma gruta oculta que já tirou a vida a 4 pessoas que inadvertidamente para ela desceram.


Para evitar a gruta teríamos de "unir" aqueles 5 pontinhos que vêm em cima, escalando pelas paredes do rio a 5 metros de altura deste, para depois descer em rappel já mais à frente da gruta oculta e mortífera!


Foi uma tarefa um pouco complicada (e apertada para mim) pois o rio era mais estreito que o meu femur!

Depois deste passo de circo, descemos para a parte mais encaixada e escura do rio, onde tive de me arrastar pela apertada fenda escavada pelo rio (apenas 40cm de largura).

Eu, depois de passar na secção mais estreitas do Gorgonchón

Este não era um rio normal. Era espeleologia de ar livre, com água! Se não acreditam vejam as formações rochosas que se podiam encontrar pelo curto percurso:


Sem dúvida o rio mais interessante que descemos em Guara! Aquele que nos servirá sempre de referência futura quanto à largura de um canyon. Provavelmente nunca iremos estar tão apertados como estivemos aqui.


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Abril 05, 2009

Canyoning - Barranco Gorgas Negras e Barrasil

Tínhamos boas referências sobre o famoso Barranco Gorgas Negras, bem como duas advertências: percurso bastante longo e a temperatura gélida da água devido às suas características sombrias. Teríamos de sair bem cedo para percorrer as 3 horas de acesso previstas no croqui, que agoirava ainda mais 5 horas para o descer e outras 3 a 4 horas para regressar ao ponto de partida, o campismo. Eram 12 horas de actividade no total!


O acesso faz-se através de um percurso pedestre lindíssimo que sobe 2 vales famosos pela a prática de escalada, atravessa a aldeia abandonada de Nasarre e desce até uma garganta enorme e sombria onde começa o rio.


Esta garganta é o principal ponto de interesse do rio e também a porta para um percurso muito longo, apenas com uma escapatória. Esta escapatória serve exclusivamente para nos retirar do leito do rio (apenas 5h depois do início) no caso de chuva, pois recorrer a ela significa voltar a subir toda a montanha até bem perto do início e fazer o percurso inverso. Por isso toda a gente opta por continuar rio abaixo, encadeando o Barranco de Barrasil logo de seguida.


Na véspera fomos pedir informações sobre o rio e aconselharam-nos a não o descer devido ao forte caudal e às baixas temperaturas da água nesta altura do ano... Não queríamos acreditar! Não era possível! Tínhamos de ir lá ver para crer...

O rio tinha muito cauda?
Sim claro, estamos em Abril... E ainda bem porque no Verão não deve ter nenhuma!

A água estava fria?
Isso é relativo: comparando com os rios do Gerês em Novembro ou Fevereiro é sopa!

Mesmo assim, devido ao caudal do rio nesta altura do ano, as poucas cascatas que tinha apresentavam um débito bastante interessante...


Mas nada de muito alto nem muito forte... Nada do que estávamos preparados para enfrentar! Fomos com muita preparação física e bem equipados, levando 3 vezes mais corda que o necessário e material suficiente para re-equipar todo o canyon se necessário! Se somarmos a comida, água e todo o equipamento de sobrevivência que carregávamos, podem facilmente perceber que este seria um percurso para levar qualquer um à exaustão!

Depois das 3 horas de subida, 5 de descida, faltava-nos percorrer as 3 horas do próximo canyoning: o Barrasil.

Se o Gorgas Negras era bastante estreito e sombrio, o Barrasil era bem mais amplo e lúdico. Penso que não tinha nenhum rappel e a paisagem era o seu principal atractivo, com paredes verticais e extra-prumadas nas suas margens a atingirem algumas centenas de metros.


Foi um percurso bastante penoso para mim que, bastante carregado e com botas "novas", me fui arrastando com dores nos pés, no joelho direito e nas costas, provavelmente devido ao peso excessivo que trazia na mochila através deste percurso acidentado. Por sorte haviam troços em que a natação era obrigatória e sempre dava para descansar a metade inferior do corpo!


Longas 12 horas depois estávamos de volta ao campismo, concluindo assim o primeiro dia de actividade na Serra de Guara que... desiludiu um pouco! Teríamos de investigar melhor as próximas opções pois procurávamos alguma adrenalina e não um tareia de 12 horas a caminhar na horizontal sem desníveis... Se não me engano, para os cerca de 5Km que fizemos pelo rio, não devemos ter descido mais de 300 metros. E quanto às advertências dos espanhóis.... são um meninos!

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Março 29, 2009

Escalada de Competição - Joane e Soure

Este ano a FPME tem previsto um alargado número de competições de escalada, comparativamente a anos anteriores. Eu, como ávido competidor que sou, aproveito-as todas, polémicas aparte.

A minha efemera participação na final, em Joane

A prova de Joane contava para o Circuito Nacional de Escalada de Dificuldade, mas teve muito pouca participação (apenas 8 atletas séniores masculinos), tornando o meu 4º lugar uma classificação relativamente baixa. Principalmente pela minha fraca prestação na final da prova, pois não consegui subir os primeiros metros.


O Sílvio Morgado, meu companheiro do NME nestas andanças é que está em forma, conseguindo um segundo lugar quer nesta, quer na prova do Circuito Nacional de Bloco, realizada em Soure.

Eu a bonificar no 3º bloco das finais

Esta prova já me correu bem melhor, apesar de ter ficado em 6º lugar. Atingi as finais e consegui bonificar em 2 dos 5 problemas apresentados. Foi o resultado dos treinos que retomei recentemente.

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Março 09, 2009

Das Idanhas ao Extremo

Não conhecia. Fiquei fã!

Comecei em Idanha-a-Nova, a sede do concelho que me deu Sol e bom tempo todo o fim-de-semana, fazendo-me parar de 5km em 5km para tirar "fotos de beira de estrada"!


Todos os locais que visitei ficavam incrivelmente perto, tendo até descoberto outros destinos entre freguesias, como foi o caso de Proença-a-Velha que tem um fantástico e muito bem recuperado lagar de produção de azeite, convertido em museu.


Não haviam mais turistas na região, pelo menos que eu tivesse reparado, por isso uma visita guiada e personalizada pelo museu permitiu-me saber TUDO sobre a produção de azeite.

A menina dos olhos da região é Idanha-a-Velha, aldeia muito antiga e muito bem recuperada para os turistas que acolhe todo o ano.


Aqui encontrei um forno comunitário que vendia pão, broa e biscoitos caseiros. Deixei lá €12.50 e passei o resto do dia a "pão e água". Não foi a melhor dieta mas foi sem dúvida a mais saborosa! Faltava um queijinho, talvez. Para a próxima já sei!

A próxima paragem foi Monsanto, "a aldeia mais portuguesa de Portugal".


Depois do que vi em Idanha-a-Velha, estava à espera de encontrar a mais fabulosa aldeia que alguma vez teria oportunidade de visitar. Enganei-me. Talvez tivesse expectativas demasiado altas mas acho que a aldeia ainda vive da fama de outrora e nota-se um degradar decadente em algumas partes.

Casa em Monsanto, com a Serra da Estrela nevada no fundo

No entanto, tem um potêncial bastante bom para o futuro até porque o mais importante já tem: a fama!

Eu é que não resisto a duas coisas bem conhecidas de todos vocês: a escalada e os saltos.


Em Monsanto já haviam turistas, mais propriamente um autocarro cheio de estudantes em visita de estudo. Estavam no castelo, a ter uma aula de história enquanto eu "encaixava" mais este salto para a minha colecção!

Em Penha Garcia tinha planeada uma caminhada de 3Km, pela chamada "Rota dos Fósseis". Esta caminhada passava por uma escola de escalada recentemente equipada. Levei o material de escalada às costas e cumpri a caminhada em poucos minutos. Acabei por não escalar quase nada dado o avançar do dia, o frio e o facto de me ter esquecido de 1 dos pés de gato...

No dia seguinte planeava algo mais físico e menos turístico. Umas caminhadas pelos muitos percursos pedestres marcados na região.


Em Salvaterra do Extremo encontrei um percurso pedestre que começou por ser muito interessante, mas que se transformou numa longa contagem de passos debaixo de um Sol tórrido de meio-dia.

Estive por várias vezes a poucos metros de Espanha (daí o curioso nome desta aldeia) onde avistei as ruínas do Castillo de Peñafiel!

Ainda fui até Segura, para fazer outra caminhada mas desisti da ideia e segui para Vila Velha de Rodão, última paragem antes de regressar a casa.


Esta foi uma completa desilusão, apenas salva por um recém construído miradouro que proporcionou um fantástico pôr-do-sol que vai direitinho para wallpaper do meu desktop!



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Março 03, 2009

CounchSurfing - Paul from Australia

Recebemos cá em casa o Paul, um Australiano que está em viagem pela Europa desde Outubro. Não foi a pessoa interessante que estávamos à espera de conhecer através do CouchSurfing, mas sempre deu para nos divertirmos um bocado. Ele passou os 3 dias que esteve em nossa casa a passear por Lisboa. Num dos dias até o mandamos ir dar uma volta, até Sintra e ele gostou. Nós fizemos a nossa parte, sendo o mais hospitaleiros possível...


Num dos dias, o Paul propôs-se a cozinhar o jantar. Ele é vegetariano, portanto sugeriu um prato de caril de vegetais e, para sobremesa, spiders! Mas que raio seriam as spiders? Coisa boa não seria, com certeza, vindo de um australiano com origens indianas...

Diz que spider é uma espécie de "cocktail", feito de, adivinhem lá... um fantástico gelado de côco do Pingo Doce (aconselho vivamente, é muito bom) e um ingrediente secreto chamado coca-cola. Sim, spider é gelado com coca-cola!

Mas quero aqui salvaguardar o povo australiano. Isto não é típico desse país. Segundo o Paul, é algo que ele bebia em criança. Portanto, deve ser típico da casa dele. Vá da rua, no máximo...

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